O que é, afinal, uma erva daninha senão uma planta da qual ainda se não descobriram as virtudes?
Ralph Waldo Emerson
Caminhar pelas cidades é sempre uma experiência particular para cada olhar: para alguns é arquitetura; para outros, as possibilidades de vivências, os tipos humanos, a vida que pulsa a cada esquina. O desenvolvimento e a vida urbana parecem tão caóticos e intensos que engolem tudo, incluindo a natureza. Mas é nas frestas onde o concreto se abre a cada dia que a vida insiste.
Enquanto, por um lado, as áreas verdes são cada vez mais eliminadas, as políticas de reflorestamento são ineficientes e os cuidados com a flora urbana, inexistentes; por outro, temos o que comumente chamamos de plantas "invasoras" ou ervas "daninhas". Elas são sobreviventes: resistem nos asfaltos e muros, brotando sem pedir licença no cinza de São Paulo.
Insistem diante da aspereza urbana, arrancadas como pragas — embora algumas sejam conhecidas pelos mais antigos como alimento. Incautas, sua beleza e existência são ignoradas pelo olhar cotidiano. Observar e inventariar é a incursão necessária para resgatar da sarjeta a flora insistente e sua beleza efêmera, que vive e desaparece despercebida.